A previsão para as exportações no Brasil exige planejamento constante diante das reconfigurações do mercado global.
Nos últimos anos, o comércio exterior precisou se adaptar rapidamente aos efeitos causados na cadeia de suprimentos e ao início de grandes tensões geopolíticas, como os conflitos no Leste Europeu e no Oriente Médio.
Além disso, novas políticas tarifárias internacionais, oscilações econômicas das grandes potências e os impactos climáticos afetam diretamente o agronegócio e a produção industrial, criando ainda mais incerteza.
Para entender como está o cenário do comércio exterior brasileiro e a balança comercial no ano de 2025, continue acompanhando o conteúdo!
Abordaremos os índices de exportação (venda) dos principais produtos, valores já importados e exportados pelo país, os principais parceiros comerciais do Brasil, os acontecimentos mais relevantes que estão influenciando o mercado e como usar o Drawback para aumentar a competitividade dos seus produtos.
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1. Panorama de exportações no Brasil
Atualmente, o Brasil ocupa a 30ª posição no ranking global de exportadores, segundo os dados da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Apesar de um cenário internacional frequentemente adverso, o país conseguiu consolidar seu posicionamento, repetindo o resultado de 2024.
Conforme os dados sobre o cenário comercial no Brasil disponibilizados pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) no portal Comex Vis, analisaremos as exportações no período de janeiro a dezembro de 2025.
De acordo com os dados consolidados, o Brasil movimentou US$ 348,3 bilhões ao longo do ano, garantindo os últimos três anos como os de melhores resultados históricos para a balança comercial nacional.
O crescimento do país é um contraponto da desaceleração em outras partes do globo.
Em relação a 2024, o aumento das exportações em valores foi de 3,5%. No entanto, o avanço no volume exportado foi ainda mais expressivo: 5,7%.
Para colocar em perspectiva, esse crescimento é mais do que o dobro do previsto pela OMC para o comércio global no mesmo período (2,4%). Analisando o desempenho mês a mês em 2025, julho foi o grande destaque do ano, registrando o principal pico de movimentação com US$ 32,1 bilhões exportados.
Quais são os 5 estados que mais exportam?
Os valores e participações de vendas mais significativas no período de 2025 foram:
- São Paulo: US$ 71,4 bilhões (20,5%);
- Rio de Janeiro: US$ 49 bilhões (14,1%);
- Minas Gerais: US$ 45,8 bilhões (13,2%);
- Mato Grosso: US$ 30,2 bilhões (8,7%);
- Paraná: US$ 23,7 bilhões (6,8%).
A seguir analisaremos os produtos mais exportados e os principais parceiros comerciais para entender o cenário e as possibilidades futuras.
Leia mais: Comércio exterior: conheça o imposto de exportação e aprenda como exportar pagando menos tributos
2. Os produtos mais exportados do Brasil
A lista de produtos pode ser dividida em 4 setores:
Segmentos | Participação |
Agropecuária | 22,28% |
Indústria Extrativa | 23,06% |
Indústria de Transformação | 54,10% |
Outros Produtos | 0,56% |
Destes quatro segmentos, os cinco produtos mais exportados pelo Brasil em 2025 foram:
Produtos mais exportados do Brasil | Participação |
Óleos brutos de petróleo ou minerais betuminosos | 12,8% – US$ 44,5 bilhões |
Soja | 12,5% – US$ 43,5 bilhões |
Minério de ferro e seus concentrados | 8,3% – US$ 29 bilhões |
Carne bovina fresca, refrigerada ou congelada | 4,8% – US$ 16,6 bilhões |
Café não torrado | 4,3% – US$ 14,9 bilhões |
Açúcares e melaços | 4,1% – US$ 14,1 bilhões |
Os dados apresentados refletem a relevância das commodities brasileiras no mercado global, ao mesmo tempo em que evidenciam a exposição do setor às recentes instabilidades geopolíticas.
A consolidação dos óleos brutos de petróleo como o principal produto exportado, por exemplo, possui correlação com as atuais tensões no Oriente Médio.
O agravamento do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, associado aos gargalos logísticos no Estreito de Ormuz, pressionou a cotação internacional do barril. Diante desse cenário de restrição na oferta global, o Brasil registrou um incremento significativo na receita atrelada à commodity em decorrência da alta dos preços.
Por outro lado, o agronegócio enfrenta reveses no cenário normativo internacional.
Embora a carne bovina mantenha sua posição de destaque no consolidado de 2025, o veto da União Europeia à proteína brasileira no primeiro semestre de 2026 impôs um desafio comercial direto para as operações deste ano.
A medida restritiva pressiona os exportadores nacionais a redirecionar os seus embarques para mercados alternativos, a fim de mitigar os impactos financeiros do embargo.
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Diante da imprevisibilidade de fatores externos, o emprego de regimes aduaneiros especiais torna-se um instrumento importante para a adequação de custos e a proteção das margens das indústrias nacionais.
A seguir, detalhamos os principais destinos dessas exportações e o volume financeiro movimentado com os maiores parceiros comerciais do Brasil.
3. Os 5 principais parceiros comerciais do Brasil
As principais relações comerciais do Brasil envolvem acordos e negociações de redução de tarifas alfandegárias e condições especiais de compra e venda. Então, para ganhar competitividade e destaque no comércio internacional, além de estreitar estas relações que já existem, o Brasil deve rever as regulamentações dos processos aduaneiros, exportações e investimentos.
China
A China é o destino de 28,7% dos produtos brasileiros exportados, índice que era 17,2% em 2012. O mercado chinês tem se mostrado promissor para expandir as relações comerciais.
Além da China ter aumentado a exportação de produtos de origem brasileira, um acordo comercial em março de 2023 decretou o fim do embargo à carne bovina e liberou a relação comercial com mais quatro novos frigoríficos, a última vez havia sido em 2019.
Até o final de 2025 os produtos brasileiros mais importados pela China foram:
- Soja (34,5%);
- Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus (20,1%);
- Minério de ferro e seus concentrados (19,6%).
A China mantém-se como o principal parceiro comercial do Brasil, absorvendo quase um terço das exportações nacionais. A pauta é estritamente concentrada em commodities brutas, refletindo a necessidade estrutural chinesa por segurança alimentar (soja) e insumos para infraestrutura e energia (ferro e petróleo).
No consolidado de 2025, o superávit comercial brasileiro com a China alcançou US$ 29 bilhões, reforçando a interdependência logística e comercial entre os dois países, embora também exponha o Brasil aos riscos de desacelerações nos setores imobiliário e industrial chineses.
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Estados Unidos
As exportações destinadas aos Estados Unidos representam 10,8% de participação e US$ 37,6 bilhões de receita.
Por ser um dos maiores produtores de soja do mundo, eles não precisam importar o alimento. Os produtos importados pelo país pertencem majoritariamente à Indústria da Transformação com cerca de 80,2%, com destaque para:
- Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus (12,5%);
- Produtos semi-acabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço (8,9%);
- Aeronaves e outros equipamentos, incluindo suas partes (8,1%)
Diferentemente da China, a pauta de exportação para os Estados Unidos apresenta maior valor agregado, com destaque para a indústria aeroespacial e produtos siderúrgicos intermediários.
O déficit comercial de US$ 7,5 bilhões indica que o Brasil atua fortemente como importador de tecnologia, químicos e refinados de origem norte-americana.
O cenário bilateral tornou-se mais desafiador em 2026 com o novo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos sobre diversos produtos brasileiros. A medida elevou o custo de acesso ao mercado norte-americano para alguns segmentos industriais e reforçou a necessidade de diversificar destinos de exportação e ampliar a competitividade da indústria nacional.
Em resposta, representantes do setor produtivo passaram a defender medidas voltadas à redução do Custo Brasil e ao fortalecimento da política de promoção das exportações.
Argentina
A relação comercial com a Argentina é historicamente marcada por flutuações atreladas ao cenário macroeconômico do país vizinho.
Após um período de retração nos embarques brasileiros, a série histórica demonstra uma retomada consistente do volume de exportações a partir de 2021.
O fortalecimento dessa parceria comercial ficou evidente nos resultados recentes da balança bilateral. Em 2023, as operações comerciais geraram um superávit de US$ 4,7 bilhões para o Brasil.
Essa trajetória de recuperação e expansão, no ano de 2025, registrou um superávit mais expressivo, da ordem de US$ 5,2 bilhões.
Os produtos mais exportados são do setor de indústria da transformação (94,2%), sendo principalmente:
- Partes e acessórios dos veículos automotivos (9,7%);
- Veículos automóveis para transporte de mercadorias e usos especiais (6,3%)(9,2%).
A Argentina representa uma exceção na pauta exportadora brasileira devido à alta concentração de produtos manufaturados, impulsionada pelos acordos automotivos no âmbito do Mercosul. O desempenho dessas exportações está diretamente atrelado à estabilidade do país vizinho.
As recentes reestruturações fiscais e os desafios cambiais do mercado argentino afetam o poder de compra local, exigindo cautela e reavaliações estratégicas das montadoras instaladas no Brasil para a manutenção do volume de embarques.
Países Baixos (Holanda)
A relação comercial com os Países Baixos (Holanda) consolidou-se em um patamar de elevada previsibilidade e rentabilidade nos últimos anos.
O fluxo de exportações brasileiras para o país europeu iniciou uma trajetória de forte recuperação a partir de 2021, retomando os patamares de desempenho observados no início da década passada.
Essa evolução é evidenciada pela solidez do saldo comercial bilateral ao longo dos últimos ciclos. Em 2021, o superávit para o Brasil foi de US$ 7,2 bilhões, saltando para US$ 9,2 bilhões em 2022.
Nos anos seguintes, o indicador demonstrou estabilidade em patamares históricos elevados, repetindo a marca de US$ 9,4 bilhões de superávit tanto em 2024 quanto no consolidado de 2025.
Os principais produtos exportados são:
- Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus (27%);
- Farelo de soja e outros alimentos para animais (excluídos cereais não moídos), farinhas de carnes e outros animais (6,5%);
- Ferro-gusa, spiegel, ferro-esponja, grânulos e pós de ferro ou aço ou ferro-ligas (6,4%).
A relevância dos Países Baixos na balança comercial brasileira deve-se, primariamente, ao Porto de Roterdã, que atua como o principal hub logístico e porta de entrada de mercadorias para toda a Europa.
O substancial superávit de US$ 9,4 bilhões evidencia o fluxo contínuo de matrizes energéticas e insumos para a cadeia agropecuária europeia, consolidando o corredor logístico Brasil-Holanda como uma operação de alta eficiência aduaneira.
Espanha
A Espanha consolida-se como um parceiro estratégico na pauta exportadora brasileira, atuando como um importante ponto focal para o abastecimento e a segurança energética e alimentar do continente europeu.
A balança comercial bilateral tem apresentado resultados amplamente favoráveis ao Brasil, com superávits consistentes de US$ 6 bilhões em 2024 e US$ 5 bilhões no consolidado de 2025.
No último ano, as exportações direcionadas ao mercado espanhol representaram 2,5% da participação total das vendas externas do Brasil, movimentando um faturamento de US$ 8,7 bilhões.
O grande destaque desse ciclo comercial foi a forte tração da indústria extrativa, que respondeu por 44,89% de todo o volume exportado para o país ibérico, o equivalente a uma receita de US$ 3,9 bilhões.
A composição da pauta exportadora para a Espanha é liderada majoritariamente por insumos brutos, com destaque para os seguintes produtos:
- Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus (36,8%)
- Soja (18,2%)
- Farelo de soja e outros alimentos para animais (7,2%)
- Minérios de cobre e seus concentrados (7,2%)
A forte demanda por óleos brutos reflete o cenário de diversificação de fornecedores de energia no continente europeu.
Adicionalmente, a aquisição de soja e seus derivados aponta para a sustentação do setor agroindustrial ibérico, gerando um superávit confortável e previsível para os exportadores brasileiros.
Considerando estas questões, é possível tornar as exportações no Brasil mais competitivas por meio de Regimes Aduaneiros Especiais como o Drawback.
Leia mais: A participação do Drawback nos setores da indústria brasileira
4. Como usar o Drawback para aumentar a lucratividade e a competitividade dos produtos no cenário internacional?
O Drawback é um Regime Aduaneiro Especial regulamentado pela Portaria Secex nº 44 de julho de 2020 para estimular as exportações das indústrias brasileiras ao permitir que estas adquiram insumos desonerados de tributos. Por existirem diferentes tipos e modalidades, o Drawback é acessível a diversas empresas que, inclusive, podem se beneficiar de mais de um tipo ao mesmo tempo.
Sendo assim, a implementação do Drawback contribui para o desenvolvimento da economia, competitividade internacional da empresa e aumento da margem de lucro dos produtos amparados pelo regime.
5. Como aproveitar as oportunidades de exportações no Brasil?
Os resultados consolidados de 2025 e as projeções para 2026 evidenciam a solidez do Brasil no comércio internacional.
Embora a balança comercial apresente uma forte concentração histórica em seus principais mercados estratégicos, a capilaridade das exportações nacionais estende-se globalmente, com operações ativas que abrangem mais de 260 países.
Neste cenário de consolidação, a pauta de exportações reafirma a força das commodities brasileiras, com destaque para os líderes de faturamento:
- Óleos brutos de petróleo ou minerais betuminosos, crus (12,8%): US$ 44,5 bilhões
- Soja (12,5%): US$ 43,5 bilhões
- Minério de ferro e seus concentrados (8,3%): US$ 28,9 bilhões
No setor agropecuário, a carne bovina e o café assumiram posições de destaque. Embora o agronegócio lide com desafios regulatórios recentes, como o veto da União Europeia à proteína animal brasileira, o redirecionamento estratégico para mercados alternativos, sobretudo na Ásia e no Oriente Médio, tem demonstrado a capacidade do setor de mitigar riscos e manter a expansão das vendas.
A indústria extrativa, puxada pela exportação de petróleo, também atravessa um período de alta captação de receita. As atuais tensões geopolíticas no Oriente Médio, particularmente os impasses logísticos no Estreito de Ormuz que envolvem Estados Unidos, Israel e Irã, pressionam a oferta global e sustentam a valorização do barril, favorecendo os exportadores brasileiros dessa matriz energética.
Contudo, atuar em um mercado internacional exposto a constantes flutuações geopolíticas e cambiais exige previsibilidade. Para otimizar o desempenho da sua empresa e proteger as margens de lucro frente a essas instabilidades, o planejamento tributário aduaneiro é indispensável.
A implementação de regimes especiais, como o Drawback, consolida-se como a estratégia mais segura e eficiente para indústrias que buscam desonerar sua cadeia de suprimentos, reduzir custos operacionais e aumentar significativamente sua competitividade nas exportações.
No entanto, a complexidade regulatória e a necessidade de auditorias internas rigorosas exigem o suporte de especialistas.
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6. Dúvidas frequentes sobre exportações no Brasil:
Com base nos dados consolidados mais recentes da balança comercial, os cinco produtos com maior índice de exportação pelo Brasil são:
- Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus (12,8%): US$ 44,5 bilhões;
- Soja (12,5%): US$ 43,5 bilhões;
- Minério de ferro e seus concentrados (8,3%): US$ 28,9 bilhões;
- Carne bovina fresca, refrigerada ou congelada (4,8%): US$ 16,6 bilhões;
- Café não torrado (Aprox. 4,3%): US$ 14,8 bilhões.
Considerando o cenário atual das relações de comércio exterior, os cinco principais parceiros comerciais que lideram as importações de produtos brasileiros são:
- China;
- Estados Unidos;
- Argentina;
- Países Baixos (Holanda);
- Espanha.



